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"O Turismo e a Hotelaria estão na moda..." por Professora Mónica Oliveira

Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica

Diariamente presenciamos, nas diferentes formas de comunicação e informação, que o Turismo em Portugal cresce de forma exponencial, representando, segundo o Turismo de Portugal, a maior atividade económica exportadora do país. O setor traduz-se em 51,5% das exportações de serviços e 18,6% das exportações totais. As receitas do turismo representam um contributo de 8,2% no PIB português e os indicadores apresentados pelo setor, relativamente ao Desempenho Turístico, são positivos: +3,8% de hóspedes, +7,3% de proveitos globais, +9,6% de receitas, o que corresponde a 328,5 mil empregos no sector (valores em 2018). Para abrilhantar estas cifras, Portugal foi considerado o melhor destino turístico do mundo, em 2017 e 2018, tendo recebido no World Travel Awards (WTA) o prémio de World's Leading Destination. O WTA reconhece, premeia e celebra a excelência da indústria de viagens e turismo, sendo sinónimo de distinção e reconhecimento. Para 2019 já está previsto um crescimento de cerca de 5% e estes sinais levariam a acreditar que estamos no caminho do sucesso e da sustentabilidade. Estaremos realmente preparados e adaptados a este incremento global, respondendo de forma eficaz à procura que cresce sistematicamente? 

Entre os aspetos mencionados, o que me preocupa verdadeiramente é o nível de prestação de serviço que oferecemos a quem, de forma confiante e segura, nos escolhe. Estando ligada à área da formação técnica de Turismo e Hotelaria há mais de 20 anos, nunca senti como hoje a escassez de recursos humanos qualificados. Tenho contactos de cariz periódico com alguns técnicos no mercado que, em exasperação, me procuram na tentativa de encontrar colaboradores qualificados e aptos para a área. Apesar do aumento da formação de qualidade, o número de profissionais formados anualmente não chega para as necessidades reais do mercado sempre em crescimento. Recorre-se à contratação de recursos humanos sem qualquer tipo de habilitação, competência e perfil. Como consumidora e profissional atenta ao mercado assisto a situações que me envergonham. 

Se por um lado se verifica uma necessidade extrema de recursos humanos, por outro lado vê-se a pouca valorização que lhes é dada, particularmente quando falamos em salários, excesso de horas de trabalho e fracas condições de trabalho. Goza o setor de poucos recursos humanos e a maioria obtém uma formação de qualidade no nosso País, aplicando os seus saberes internacionalmente onde são considerados e o seu trabalho reconhecido. O setor tem colaboradores dedicados, motivados, empenhados e qualificados¿ é crucial atribuir-lhes o devido valor e fixá-los no nosso País! Caímos no erro de não os estimarmos e recorremos a mão-de-obra não qualificada, dada a escassez dos bons que persistem.

Se queremos excelência temos de remunerar e valorizar os colaboradores na mesma medida. É impreterível que respeitemos três aspetos fundamentais: aumentar a formação de qualidade na área, motivar para o setor e fixar os nossos Recursos Humanos com boas condições de trabalho. É imperioso abandonar o amadorismo que se verifica na área, dar excelência e qualidade ao setor, se pretendemos um crescimento sustentável a nível económico, social e ambiental.