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"O Marketing Turístico e o seu contributo na afirmação de Portugal como melhor destino turístico do mundo." por Professor Especialista Abílio Vilaça

Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica

A hospitalidade e a indústria das viagens estão a passar por rápidas mudanças. Os conhecimentos de hoje, já não se aplicarão dentro de quatro ou cinco anos. O nosso país, consegue ter uma hospitalidade extraordinária, a capacidade de partilhar a nossa cultura, a nossa gastronomia e o nosso território de forma sempre simpática e acolhedora, oferecendo ainda um ambiente de segurança, sempre destacado por quem nos visita.
Somos considerados um país muito interessante do ponto de vista turístico, agora o Melhor Destino Turístico do Mundo. Temos património cultural, património religioso, história, tradições, um clima agradável e uma qualidade de serviços muito interessante.
Os grandes operadores começam a ver Portugal num outro prisma. País com muito potencial para o turismo e que tem a capacidade de tornar feliz quem nos visita. Oferecemos experiências novas e damos emotividade aos turistas que vão chegando.

Os operadores turísticos recorrem cada vez mais ao marketing turístico, para potenciar o desempenho das suas empresas e sobretudo obter melhores resultados económicos.
O marketing do turismo é visto por alguns autores como uma arte e uma ciência. Uma arte que acresce uma certa ambiguidade ao marketing e o faz tão fascinante na sua construção e implementação. As empresas modernas não conseguem viver sem marketing, as que não o utilizam vão morrendo dia a dia.

O marketing para o turismo está a mudar, está a evoluir para uma segmentação muito especializada por produto turístico. Trabalhar o segmento de turistas que compram produtos turísticos de curta duração, tecnicamente referidos como city breaks, ou short breaks, usando companhias aéreas de baixo custo, é diferente de trabalhar o segmento de consumidores que compram turismo aventura, turismo natureza ou enoturismo.

O marketing turístico vem responder ao importante desafio de despertar o interesse por novos produtos de turismo em Portugal, como acontece com o turismo religioso, o turismo cinegético, o turismo de golfe, entre outras ofertas. Sabemos que o turista informado quer, história, cultura e património integrados na experiência de uma gastronomia, ligada a uma tradição popular e apoiando uma vivência pessoal.
Turismo de emoções é um novo paradigma que os DINKS (Double Inkome No Kids - casais que possuem dois rendimentos e sem filhos a cargo) e os YAS (Yang Active Seniors - Jovens seniores ativos). Procuram viajar em épocas de menor procura, fugindo à época alta, e favorecem por isso o combate à sazonalidade. Têm paixão pela hospitalidade, gostam de ser ¿mimados¿, não geram problemas e respeitam de forma exemplar a cultura e tradições dos locais visitados.
A constelação do turismo introduz a necessidade de assumir o desenvolvimento do turismo como um desígnio para a economia das cidades e do país. Os segmentos emergentes do mercado, já referidos anteriormente constituem um mercado de consumidores extremamente dinâmico e muito exigente. Os novos turistas estão bem preparados, são organizados, seletivos e têm experiência de viagens.
Num período em que mais de 25.000 aviões atravessam diariamente os céus da Europa, os operadores turísticos, os gestores hoteleiros, os agentes económicos não podem estar agarrados a velhas ferramentas, ou a tecnologias desatualizadas. Têm de estar atentos a uma nova vaga de turistas mais exigentes despertados pelos novos prémios recebidos e que aguçam o apetite de novos segmentos de mercado.

As empresas e sobretudo as PME¿s têm vindo a despertar para as novas realidades, nomeadamente no domínio da gestão de recursos humanos. A gestão de talentos e do talento, a gestão de conflitos e do caos, etc. Os tempos de hoje exigem uma nova métrica e um novo olhar para as problemáticas que vão surgindo. Os velhos planos de atividades e de negócios estão a ser substituídos por planos de oportunidades. A forma como se vende e compra mudou. O mercado está a mudar continuamente, exigindo pro- atividade e mente aberta para compreender essas mudanças em favor das organizações.

Neste contexto o marketing desenvolveu uma nova abordagem para o setor do turismo, designado de marketing do turismo, capaz de utilizar as técnicas e métodos de forma mais inteligente em favor do progresso das empresas.

O produto turístico é um produto intangível, que não se pode armazenar e não sendo usado, nunca mais se pode recuperar. É esta realidade e desafio que exige uma melhor preparação dos recursos humanos dedicados ao setor do turismo.

Neste propósito deve refletir-se sobre a importância do marketing do turismo na formação dos profissionais e do reforço dessas competências. Um museu, um restaurante, uma rota turística não têm sucesso se não se compreender as necessidades dos consumidores, ou seja dos turistas. Como tal a conceção do produto turístico deve ser construída tendo presente a sua orientação para a satisfação do consumidor/turista.
É conhecida a expressão ¿clientes felizes compram mais¿. No marketing do turismo não se fica apenas por esta ideia, pois é sabido que o sucesso das empresas resulta da satisfação dos clientes e da sua aceitação em se constituírem como promotores voluntários de um destino que os marcou positivamente. A transmissão da sua experiência junto de amigos e familiares, potencia que aqueles venham a seguir a sugestão. O marketing do turismo ganhou por isso um estatuto próprio e tem contribuído sem dúvida para o sucesso de Portugal enquanto destino turístico.
Parabéns a todos os operadores turísticos em contribuírem para mais uma vitória de Portugal no turismo mundial. Importa estar atento às mudanças e aos desafios que aí virão.