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"A Matemática na arte de guerrear" por Professora Liliana Pereira

Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica

A História da China Medieval faz-se sobretudo da inquietação provocada por sucessivas guerras e crises das várias dinastias. Ao mesmo tempo surgiram os primeiros indícios do que viria a ser uma verdadeira cultura matemática, uma vez que o Império Chinês fomentava o estudo de Matemáticas aplicadas.

A Matemática chinesa distingue-se por ser sucinta e não axiomática e a sua aplicabilidade diversificada, contribuindo para grandes avanços na algoritmia e álgebra.

Ainda hoje relatam que, na antiguidade, os generais chineses contavam as suas tropas, ordenando-as em colunas de um dado tamanho, contabilizavam as que sobravam para, assim, determinarem o efetivo perdido em batalha.

Considere que um general chinês tinha ao seu dispôr 2000 soldados para uma batalha. No final do confronto, o general queria avaliar as suas perdas de efetivos. Para isso, ordenou que os soldados se colocassem em formação, alinhados de 7 em 7, tendo sobrado 5 tropas. Em seguida, ordenou que se colocassem em formação alinhados de 9 em 9 e verificou que sobraram 4. Repetiu o processo, com um alinhamento de 10 em 10 e sobrou apenas 1 tropa. Perante isto, quantos soldados teriam morrido na batalha se havia mais de 1500 na formatura?

Ao alinhar as suas tropas em colunas de tamanho n, está a realizar uma divisão do número de tropas por n e, depois a verificar o seu resto. Na prática, contar o resto é muito mais fácil que contar o número total ou o quociente. É aqui que surge um dos mais importantes teoremas em Teoria de Números: Teorema Chinês dos Restos.

A primeira obra a focar este tipo de problemas, chamados problemas de congruência, pertence ao Mestre Sun Zi e foi escrita na China no final do século III, com o título Sun Tzu Suan Ching. Sun Zi era militar e escrevia sobre táticas de guerra.

É precisamente na China, há cerca de 2.500 anos, que Sun Tzu, um general e estratega chinês, escreve a Arte da Guerra. Sendo um tratado puramente militar, onde se instruíam as gerações futuras para o contexto de guerra, os conselhos e ensinamentos de Sun Tzu são atuais e perfeitamente adaptáveis ao mundo das empresas e dos negócios, considerando a concorrência como o inimigo e o mercado como o campo de batalha.

Com Sun Tzu as batalhas mudaram, consistindo em ações perfeitamente orientadas, movimentos coordenados e de acordo com planos previamente estabelecidos, funcionando segundo sinais organizados.

A ciência da tática tinha nascido.

Conhecer e saber aplicar os conceitos da arte da guerra eram na altura a diferença entre a vida e a morte na batalha. Hoje, constituem o sucesso e fracasso das organizações no mercado altamente competitivo. Sun Tzu escreveu muitos ensinamentos há 2500 anos, ainda hoje aplicáveis, sendo um dos maiores e mais atuais: "A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar".