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O transporte aéreo agarrado ao turismo continuará a gerar emprego e poluição. Estarão os negócios do setor à altura dos desafios da atualidade?, por Professor Abílio Vilaça

Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica

O turismo tem crescido de forma notável graças a um vasto conjunto de fatores como o novo entendimento de que a economia possui uma nova máquina de fazer felicidade que puxa por todos os setores de atividade e produz receitas num tempo mais rápido do que outra atividade o tenham feito.
O transporte aéreo está atualmente a transportar cerca de 3,8 biliões de passageiros por ano, em cerca de 54 000 rotas que corresponderam a 76 milhões de horas de voo e que diretamente envolvem 62,7 milhões de empregos em todo o mundo, segundo o estudo da ¿Aviation Benefits¿.
Até 2032, a IATA prevê que estejam a trabalhar diretamente nas atividades ligadas ao transporte aéreo em todo o mundo cerca de 100 milhões de pessoas. Significa que o crescimento do transporte aéreo continuará a níveis elevados. O turismo tem uma forte fatia desta responsabilidade, ampliado também, pelo do transporte de carga que continua a níveis muito significativos.
Quando por dia atravessam os céus da Europa cerca de 25 000 aviões poderemos fazer uma pequena ideia do que significará um crescimento de cerca de 3% ao ano até 2032.
Uma questão poderá colocar-se desde já. Em que medida estarão capacitados os destinos turísticos para o crescimento do transporte aéreo? Estarão os turistas disponíveis para continuarem a ser tratados nos aeroportos quase como ¿delinquentes¿? Inspecionados de alto a baixo como se de delinquentes se tratassem? Na sombra de uma segurança ainda pouco estudada e pouco desenvolvida, submetem-se os passageiros a filas intermináveis de controlo, inspeção, Raio X, etc. Efetuado o acesso ao interior do aeroporto, voltam a fazer-se novamente filas para aceder ao equipamento aéreo em tempos de espera sempre crescentes. Uma massada e um esforço que começa a incomodar e a desviar os turistas para outras soluções.
Temos vindo a sentir a necessidade de ampliar a capacidade dos aeroportos nacionais, por via do crescimento de toda a dinâmica do transporte aéreo, porém, outros fatores assumirão maior notoriedade como o impacto da poluição gerada pelo transporte aéreo (cerca de 8 % de toda a poluição mundial).
Por um lado temos a necessidade de gerar empregos e a aeronáutica tem demonstrado que alocada ao turismo consegue esse objetivo, por outro lado temos os problemas da segurança e da poluição. Seremos capazes de investir parte dos resultados positivos gerados pelo negócio do transporte aéreo, no desenvolvimento de tecnologia mais sustentável?
A humanidade, precisa urgentemente de um esforço, para que a poluição que se gera com o tráfego aéreo seja reduzida e se elevem os níveis de segurança tornando o transporte aéreo mais amigável. A pressão de mais emprego tenderá a lançar fumo sobre os temas referidos, mas uma coisa é certa, a aeronáutica tem génio, arte e disciplina, ingredientes necessários para um novo futuro de mais esperança e felicidade.