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Heróis e Vilões, por Professora Doutora Catarina Nadais

Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica

O processo de evolução da Humanidade trouxe consigo descobertas e avanços extraordinários em diferentes áreas, nomeadamente no domínio da medicina, da astronomia ou da física. Diariamente nos chegam notícias de feitos históricos, liderados por homens e mulheres. Somos heróis. Celebramos recentemente os avanços da medicina com a atribuição do Prémio Nobel aos primeiros trabalhos de imunoterapia. Os laureados por esta investigação, James P. Ellison e Tasuku Honjo, lideraram as pesquisas de um novo princípio de luta contra o cancro, a partir da estimulação do sistema imunitário para a destruição das células doentes, que se relaciona com a teoria de autopoiesis, avançada por Humberto Maturama e Francisco Varela na década de 1970. Em outro domínio, cerca de 200 cientistas de diferentes pontos do globo colaboraram para que fosse fotografado, pela primeira vez, um buraco negro a 55 milhões de anos luz da Terra, provando assim a Teoria da Relatividade de Albert Einstein, anunciada há mais de 100 anos.
O poder é tanto quanto a ameaça.
O mesmo processo de desenvolvimento trouxe-nos mares de lixo. Em três dias foram retiradas 30 toneladas de plástico da costa de Santo Domingo, na República Dominicana. Esse mesmo lixo está a envenenar recursos no próprio habitat. Aliás, diariamente, cerca de 200 espécies são extintas. Vivemos em défice ecológico, usando recursos a que não deveríamos estar a recorrer, e vivemos além das capacidades da Terra. Somos vilões. Se a tecnologia permite que se vá pensando em habitar outro planeta no futuro, a verdade é que no presente, a geração dos Millenialls é a primeira, em toda a história da Humanidade a viver pior do que os seus pais. Conscientes disso, milhares de adolescentes protestaram e manifestaram a sua preocupação pelo clima e pelo próprio futuro, chamando para cima da mesa a necessidade de uma ação de emergência para o momento que vivemos. Uma clara inversão de papéis, quando os adultos negam as suas responsabilidades. Somos a primeira espécie a conseguir afetar e alterar as condições do ecossistema. Mesmo sabendo disso, o Acordo de Paris, assinado em 2015, tem os seus compromissos adiados para 2030.
Se recuperarmos a teoria do monomito de Joseph Campbell, estamos em plena jornada do herói. A humanidade tem passado por diferentes testes e provações. O desafio está aqui: como equilibrar o crescimento económico e o progresso científico com o equilíbrio ecológico? Que sacrifícios políticos e económicos estaremos dispostos a fazer para garantir vida para as gerações futuras? A quem confiamos as decisões sobre o amanhã da Humanidade? Ou, que papel temos nesse futuro? Neste caminho, a educação será aliada e mentora. Cada um de nós, heróis ou vilões, sem possibilidade de remake.