• EN
  • LinkedIn
  • Facebook
Você está em: Início > A 4IR, por Alegria Béltran

A 4IR, por Alegria Béltran

Artigo de Opinião publicado no seminário Vida Económica

A nova ordem mundial parece preocupante ou, pelo menos, é esse o diagnóstico dos cerca de 1000 especialistas e decision-makers que responderam ao Inquérito de Perceção de Riscos Globais no recente Fórum Económico de Davos - dedicado este ano à Globalização 4.0 - cujas conclusões foram recolhidas no The Global Risks Report 2019.
Quer na probabilidade dos riscos, quer no impacto dos mesmos, a crise do meio ambiental é a que acapara maior protagonismo. Não é esta a primeira vez que o meio ambiente aparece no inquérito, mas a verdade é que este ano está em três dos cinco riscos mais prováveis e em quatro dos cinco riscos com maior impacto. A chegada de grandes desastres naturais paira dramaticamente sobre outros riscos que se apresentam interligados e que vêm associados à Quarta Revolução Industrial (4IR pelas siglas em inglês) - a tecnológica - que estamos a inaugurar: alto índice de desemprego estrutural e subemprego, instabilidade social, fake news, fraude massiva com roubo de dados, ataques cibernéticos a grande escala, crescente polarização social com agudização das disparidades, fracasso na governança regional e global e o crescimento das tensões geopolíticas e geoeconómicas.
Klaus Schwab, fundador do Foro Económico Mundial, propõe, para fazer face aos desafios dos novos tempos, a construção de uma arquitetura global mais solidária e inclusiva que esteja à altura das exigências da 4IR. Parte dessa arquitetura é configurada pelas estratégias educativas traçadas no Livro Branco sobre o novo mercado de trabalho baseado em competências . O livro indica que os iletrados do seculo XXI serão aqueles que não forem capazes de aprender, desaprender e reaprender as competências necessárias para dar resposta à flexibilidade laboral da nova época. Segundo o estudo, a linearidade com que ainda percebemos a formação já não se corresponde com o mundo real. Estudar no primeiro quarto de vida para mais tarde pôr em prática os conhecimentos alcançados é um conceito da aprendizagem que está a ficar obsoleto; perfila-se um novo modelo educativo onde um sistema partilhado de acreditação baseado em indicadores de competências substituirá as titulações atuais por créditos. Refere ainda o relatório que este modelo de "aprender-fazer-aprender-fazer-descansar-aprender..." aproxima o cidadão que adquire as competências do mercado de trabalho a partir das próprias motivações e fornece dados aos professores sobre a demanda de competências em tempo real, garantindo que estas são adquiridas e certificadas. É também analisado o potencial da tecnologia educacional (edtech), já não tanto na vertente focada na facilidade de acesso aos conteúdos como a conhecemos agora, mas no encaixe em estândares educativos ou na criação de estândares novos. Completa-se o relatório com estudos de caso que mostram iniciativas emergentes para a criação de um mercado de trabalho baseado em competências.
As cartas estão na mesa e depende de todos saberem interpretar com pensamento crítico o espírito do tempo e construir uma estratégia que nos permita encontrar o nosso lugar no mundo, apesar dos inquietantes e apocalípticos sinais da nova era.