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"Estou a terminar o secundário! E agora?" por Professora Doutora Sofia Gomes

Artigo de Opinião publicado no Semanário Vida Económica

É nesta altura do ano que começa a grande preocupação com o acesso ao ensino superior dos alunos que estão agora a terminar o 12º ano. Mas só agora? E estes últimos anos de estudo com tantas provas intercalares e específicas, não foram preocupantes?

Foi uma preocupação relativa porque havia sempre mais uns anos para recuperar as notas, muitas indecisões quanto à licenciatura ou ao curso técnico a escolher e muitas outras opções que desviavam as atenções dos estudos.

Podemos traçar o perfil de vários alunos que terminam agora o secundário:

- os certinhos: estão há anos a preparar a sua entrada no ensino superior. Frequentaram sessões de orientação no 9º ano para decidirem a área de estudo a seguir no 10ºano e aplicaram-se ao máximo durante os últimos três anos para terminarem agora com a melhor média. Estudam todos os dias e ainda são acompanhados por explicadores externos.

- os aventureiros: sabem a área que querem mas raramente estudam e trabalharam sempre para os mínimos, ou seja, para transitarem de ano. Agora às portas do ensino superior, tentam recuperar anos perdidos de estudo e alcançar a média de acesso que necessitam para o curso que desde sempre quiseram.

- os médios: Alunos com classificações médias, com regular estudo e que tencionam candidatar-se a um curso no ensino superior de média baixa, garantindo a sua entrada, mesmo que não seja nas primeiras opções.

Além da preocupação de estudar para os exames nacionais com o objetivo de não baixar a média de acesso ao ensino superior ou até conseguir milagres com classificações nunca antes obtidas durante o percurso escolar, os nossos jovens têm de alimentar os desejos e sonhos dos pais, satisfazer a curiosidade dos amigos e cumprir com o papel que sempre lhe foi concebido como se tratasse do desafio de maior responsabilidade de toda a sua vida.

Vem ainda a escolha do curso do ensino superior: licenciatura ou curso técnico superior profissional e dentro destes centenas e centenas de cursos e instituições. Para quem já anda aqui há uns anos e lida diariamente com jovens, são alguns os conselhos práticos: procurem cursos que vos permitam profissões de futuro (são tantas as áreas desde o turismo, à hotelaria, à restauração, à tecnologia, ao digital, entre outras) e não emoções momentâneas ("o porque gosto"), que vos abram os horizontes ("o mundo começa aqui"), que vos inquietem e que sejam percussores de mudança e de inovação, que vos aguce o empreendimento, e que vos façam felizes e bem sucedidos.

Esta é só mais uma etapa das vossas vidas, que deve ser vivida com as responsabilidades e os desafios que todas as outras importantes etapas impõem. Todos os anos, milhares de jovens não conseguem ficar colocados nas suas primeiras opções, gerando sentimentos de tristeza, de falha, de vergonha, de diminuição. Lembrem-se que milhares de outros jovens, estão igualmente a concentrar todos os esforços para o ¿sprint¿ final e o facto de não cortar a meta em primeiro, não é razão para que no futuro não sejam exímios profissionais, empreendedores de sucesso e os agentes de mudança que o nosso país tanto carece!