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"Tecnologia - Benefício ou Infortúnio?" por Professora Doutora Vera Carlos

Artigo de Opinião

Professora Vera Carlos escreve sobre "Tecnologia - Benefício ou Infortúnio", no seu artigo de opinião publicado no semanário Vida Económica.

"A evolução tecnológica tem-nos presenteado com tecnologias que facilitam o nosso dia-a-dia. Numa década em que temos cada vez menos tempo para nos lembrarmos do que precisamos de comprar ou fazer, somos assistidos por aplicações, e-mails de empresas ou familiares/amigos/conhecidos que nos veem online. Temos, também, cada vez menos disponibilidade para telefonar ou enviar um e-mail quando queremos obter informações sobre empresas/produtos. So, we Google it! Maioritariamente, queremos existir online mas, mesmo se não quisermos, temos de o fazer, para poder ter acesso ao que nos é conveniente. Consequentemente, para as empresas as vantagens são inúmeras. A interatividade proporcionada leva a que seja possível conhecer e chegar ao consumidor pretendido com maior facilidade. Estamos cada vez mais próximos.

Embora tenhamos acesso a todos estes benefícios, a utilização da Internet, particularmente através do smartphone, que funciona atualmente como uma extensão do nosso corpo, tem-se tornado excessiva, mesmo quando estamos entre amigos/familiares. É cada vez mais irresistível o impulso de pesquisar na net sempre que nos surge uma dúvida. Da mesma forma, todos nós conhecemos aquela pessoa que continuamente acede ao Facebook, ou joga Angry Birds - ou o que quer que seja que esteja na moda -, durante o jantar, o que torna a socialização deveras complicada. Afinal, a proximidade criada quando estamos ligados também nos afasta.

No entanto, ainda há quem resista, e prefira não ter Facebook, e quem nem pense sequer na possibilidade de comprar online, embora possa - porque tem de ser - ter um endereço de e-mail. A questão da privacidade e a insegurança nas transações online continuam a ser as principais preocupações dos utilizadores. E, de facto, estamos cada vez mais expostos. Quando aderimos a um cartão de cliente só não divulgamos o nosso grupo sanguíneo. Da mesma forma, a maioria das pessoas não tem, sequer, noção das autorizações que damos às empresas quando instalamos uma aplicação no telemóvel. Desde permissões de acesso a SMS/contactos, imagens, câmara, localização, e afins, estamos a ceder, de boa vontade, a nossa privacidade, frequentemente sem nos apercebermos. Naturalmente, e apesar da nossa apreensão quando temos consciência desta questão, continuamos a aceder ao que nos é útil - e mesmo ao que não é -, até porque 'necessitamos' de apps para não corrermos o risco de nos esquecermos de comprar arroz.

Visto que estamos na fase Web 4.0, em que se prevê uma gestão de informação mais inteligente - considere-se a criação de robôs como a Sophia, apresentada na Web Summit '17 -, deveríamos ponderar se o receio que temos de que a Inteligência Artificial nos substitua não será, de facto, fundamentado, considerando os nossos padrões de utilização da Internet. Talvez seja altura de revermos o nosso comportamento e refletirmos um pouco mais acerca desta questão."

- in Semanário Vida Económica, 9 de fevereiro de 2018